I. Kapitel: A escrava Isaura als einzelne Kapitel

Kapitel 1 Kapitel 2 Kapitel 3 Kapitel 4 Kapitel 5 Kapitel 6 Kapitel 7 Kapitel 8 Kapitel 9 Kapitel 10 Kapitel 11
Kapitel 12 Kapitel 13 Kapitel 14 Kapitel 15 Kapitel 16 Kapitel 17 Kapitel 18 Kapitel 19 Kapitel 20 Kapitel 21 Kapitel 22




— Senhor Leôncio, — disse Malvina com voz alterada aproximando-se do sofá, em que se achava o marido, — desejo dizer-lhe duas palavras, se isso não o incomoda. — Estou sempre às tuas ordens, querida Malvina, — respondeu levantandose lesto e risonho, e como quem nenhum reparo fizera no tom cerimonioso com que Malvina o tratava. — Que me queres?... — Quero dizer-lhe, — exclamou a moça em tom severo, e fazendo vãos esforços para dar ao seu lindo e mavioso semblante um ar feroz, quero dizer-lhe que o senhor me insulta e me atraiçoa em sua casa, da maneira a mais indigna e desleal... "Herr Leôncio", sagte Malvina mit impörter Stimme und näherte sich dem Sofa, auf dem der Gatte saß, "ich wünsche einige Worte mit Ihnen zu wechseln, wenn es Ihnen nicht ungelegen kommt." "Ich stehe dir stets zu Diensten, liebe Malvina", antwortete er und erhob sich flink und lächelnd, wie jemand der den förmlichen Ton, mit deme Malvina mit ihm sprach, nicht bemerkt hätte, "was willst du?" "Ich möchte Ihnen sagen", antwortete da Mädchen in ernstem Ton, sich vergeblich bemühend ihrem schönen und weichen Gesicht einen drohenden Ausdruck zu verleihen, "dass der Herr mich beleidigt und in seinem auf die unwürdigste und untreueste Art hintergeht."
— Santo Deus!... que estás aí a dizer, minha querida?... explica-te melhor, que não compreendo nem uma palavra do que dizes... — Debalde, que o senhor se finge surpreendido; bem sabe a causa do meu desgosto. Eu já devia ter pressentido esse seu vergonhoso procedimento; há muito que o senhor não é o mesmo para comigo, e me trata com tal frieza e indiferença... — Oh! meu coração, pois querias que durasse eternamente a lua-de-mel?... isso seria horrivelmente monótono e prosaico. "Mein Gott! Was sagst du da, meine Liebe? Erkläre es besser, denn ich verstehe nicht ein Wort von dem, was du sagen willst." "Sie versuchen vergeblich den Überraschten zu spielen. Sie kennen den Grund meines Verdrusses. Ich hätte ihr schändliches Vorgehen schon ahnen müssen. Schon seit einiger Zeit hat sich die Beziehung des Herrn zu mir geändert und er behandelt mich mit einer solchen Kälte und Indifferenz...." "Ach mein Herz, du wolltest also, dass die Flitterwochen ewig dauern? Das wäre unglaublich monoton und prosaisch."
— Ainda escarneces, infame! – bradou a moça, e desta vez as faces se lhe afoguearam de extraordinário rubor, e fuzilaram-lhe nos olhos lampejos de cólera terrível. — Oh! não te exasperes assim, Malvina; estou gracejando – disse Leôncio procurando tomar-lhe a mão. — Boa ocasião para gracejos!... deixe-me, senhor!... que infâmia!... que vergonha para nós ambos!... — Mas enfim não te explicarás? "Du verhöhnst mich, du Infamer!", schrie das Mädchen und diesmal entzündete sich ihr Gesich tiefrot und aus ihren Augen schossen Blitze geladen mit schrecklicher Wut. "Reg dich nicht so auf Malvina, ich scherzte", sagte Leôncio und versuchte ihre Hand zu fassen. "Eine guter Moment für Scherze! Lassen Sie mich in Ruhe! Wie niederträchtig! Was für eine Schande für uns beide!" "Wirst du nicht schlussendlich sagen, was du willst?"
— Não tenho que explicar; o senhor bem me entende. Só tenho que exigir... — Pois exige, Malvina. — Dê um destino qualquer a essa escrava, a cujos pés o senhor costuma vilmente prostrar-se: liberte-a, venda-a, faça o que quiser. Ou eu ou ela havemos de abandonar para sempre esta casa; e isto hoje mesmo. Escolha entre nos. — Hoje?! — E já! — És muito exigente e injusta para comigo, Malvina, - disse Leôncio depois de um momento de pasmo e hesitação. — Bem sabes que é meu desejo libertar Isaura; mas acaso depende isso de mim somente? é a meu pai que compete fazer o que de mim exiges. "Ich muss gar nichts erklären, der Herr versteht mich vollkommen. Ich muss nur etwas verlangen." "Dann verlange es Malvina." "Andere in irgendeiner Weise die Situation dieser Sklavin, zu deren Füßen der Herr pflegt schamlos niederzuknien. Befreie sie, verkaufe sie, oder mach was du willst. Sie oder ich müssen für immer dieses Haus verlassen. Wähle zwischen uns beiden." "Heute?!" "Sofort!" "Du verlangst sehr viel von mir Malvina", sagte Leôncio nach einem Moment des Erstaunens und des Zögerns, "du weißt genau, dass es mein Wunsch ist Isaura zu befreien. Aber hängt das etwa nur von mir ab? Es ist mein Vater, dem es zukommt das zu tun, was du von mir verlangst."
— Que miserável desculpa, senhor! seu pai já lhe entregou escravos e fazenda, e dará por bem feito tudo quanto o senhor fizer. Mas se acaso o senhor a prefere a mim... — Malvina!... não digas tal blasfêmia!... — Blasfêmia!... quem sabe!... mas enfim dê um destino qualquer a essa rapariga, se não quer expelir-me para sempre de sua casa. Quanto a mim, não a quero mais nem um momento em meu serviço; é bonita demais para mucama. — O que lhe dizia eu, senhor Leôncio? acudiu Henrique, que já cansado e envergonhado do papel de mudo guarda-costas, entendeu que devia intervir também na querela. — Está vendo?.. eis aí o fruto que se colhe desses belos trastes de luxo, que quer por força ter em seu salão... Was für eine erbärmliche Ausrede bringt der Herr da vor! Ihr Vater hat Ihnen bereits alle Sklaven des Gutes übergeben und wird allem, was der Herr tut zustimmen. Aber wahrscheinlich ist es der Herr, der sie mir vorzieht." "Malvina! Du sollst nicht lästern!" "Lästern! Wer weiß! Gib dem Mädchen irgendein Schicksal, wenn ich nicht für immer dieses Haus verlassen soll. Was mich angeht, so wünsche ich sie keinen Moment länger in meinen Diensten zu haben. Sie ist zu schön für eine Kammerzofe." "Was sagte ich ihnen Leôncio?", mischte sich Henrique ein, der schon seiner Rolle als Leibwächter überdrüssig und beschämt war und meinte sich in diesen Streit einmischen zu müssen. "Sehen Sie, das ist die Frucht die man pflückt von diesem luxuriösen Dekor im Salon.."
— Esses trastes não seriam tão perigosos, se não existissem vis mexeriqueiros, que não hesitam em perturbar o sossego da casa dos outros para conseguir seus fins perversos... "Dieser luxuriöse Dekor wäre nicht so gefährlich, wenn es nicht gemeine Klatschmäuler gäbe, die nicht zögern den Hausfrieden der anderen ihrer perversen Ziele wegen zu stören."
— Alto lá, senhor!... para impedir que o senhor não transportasse o seu traste de luxo do salão para a alcova, percebe?... o escândalo cedo ou tarde seria notório, e nenhum dever tenho eu de ver de braços cruzados minha irmã indignamente ultrajada. — Senhor Henrique! bradou Leôncio avançando para ele, hirto de cólera e com gesto ameaçador. — Basta, senhores — gritou Malvina interpondo-se aos dois mancebos. Toda a disputa por tal motivo é inútil e vergonhosa para nós todos. Eu já disse a Leôncio o que tinha de dizer; ele que se decida; faça o que entender. Se quiser ser homem de brio e pundonor, ainda é tempo. Se não, deixe-me, que eu o entregarei ao desprezo que merece. "Halt mein Herr! Das war nötig, damit der Herr nicht den Dekor aus dem Salon in sein Schlafzimmer bringt, verstehen Sie? Früher oder später wäre der Skandal publik geworden und es ist nicht meine Pflicht mit verschränkten Armen zuzusehen, wie meine Schwester beleidigt wird." "Herr Henrique!", schrie Leôncio sich außer sich vor Wut und mit einer Drohgebärde nähernd. "Es reicht ihr Herren", schrie Malvina und ging zwischen die zwei Burschen. Jeder Streit wegen dieser Sache ist unnötig und beschämend für alle. Ich habe Leôncio bereits gesagt, was ich ihm zu sagen hatte. Es ist an ihm eine Entscheidung zu treffen und sie uns wissen zu lassen. Wenn er ein Mann wie ein aufrechter und ehrenhafter Mann verhalten will, dann ist dazu noch Zeit. Wenn nicht, dann soll er mich in Ruhe lasse und ich übergebe ihn der Verachtung die er verdient."
— Oh! Malvina! estou pronto a fazer todo o possível para te tranqüilizar e contentar: mas deves saber que não posso satisfazer o teu desejo sem primeiro entender-me com meu pai, que está na corte. É preciso mais que saibas, que meu pai nenhuma vontade tem de libertar Isaura, tanto assim, que para se ver livre das importunações do pai dela, que também quer a todo custo libertá-la, exigiu uma soma por tal forma exorbitante, que é quase impossível o pobre homem arranjá-la. — O de casa!... dá licença?— bradou neste momento com voz forte e sonora uma pessoa, que vinha subindo a escada do alpendre. — Quem quer que é, pode entrar, — gritou Leôncio dando graças ao céu, que tão a propósito mandava-lhe uma visita para interromper aquela importuna e detestável questão e livrá-lo dos apuros em que se via entalado. "Malvina, ich bin bereit, alles was möglich ist zu tun um dich beruhigen und zufrieden zu stellen. Du musst aber wissen, dass ich deinen Wunsch nicht erfüllen kann, ohne vorher mit meinen Vater gesprochen zu haben, der in Rio de Janeiro ist. Du sollst wissen, dass mein Vater keinerlei Interesse daran hat, Isaura die Freiheit zu geben, was man schon daran sehen kann, dass er um sich von den Nachstellungen des ihres Vaters, der sie ebenfalls um jeden Preis freikaufen will, eine derartig große Summe verlangt, dass es für den armen Mann unmöglich ist sie aufzubringen." "Ist jemand zu Hause! Kann man eintreten?", schrie in diesem Moment jemand mit einer lauten und dröhnenden Stimme, der die Stufen der Vorhalle emporkam. "Wer immer es auch sei, er möge eintreten", rief Leôncio und dankte dem Himmel, der ihm just jetzt einen Besuch schickte, um das Gespräch über diese unangenehme und widerliche Frage zu unterbrechen und ihn aus der Bedrängnis, in der er sich befand, erlöste.
Entretanto, como se verá, não tinha muito de que congratular-se. O visitante era Miguel, o antigo feitor da fazenda, o pai de Isaura, que havia sido outrora grosseiramente despedido pelo pai de Leôncio. Este, que ainda o não conhecia, recebeu-o com afabilidade. Es gab unterdessen keinen Grund um sich zu freuen. Der Besucher war Miguel, der ehemalige Vorarbeiter des Gutes, der Vater von Isaura, der damals vom Vater von Leôncio ohne viel Federlesen gekündigt worden war. Jener, der in noch nicht kannte, empfing ihn zuvorkommend.
— Queira sentar-se, — disse-lhe, — e dizer-nos o motivo por que nos faz a honra de procurar, — Obrigado! — disse o recém-chegado, depois de cumprimentar respeitosamente Henrique e Malvina. — V. Sa. sem dúvida é o senhor Leôncio?... — Para o servir. — Muito bem!... é com V. Sa. que tenho de tratar na falta do senhor seu pai. O meu negócio é simples, e julgo que o posso declarar em presença aqui do senhor e da senhora, que me parecem ser pessoas de casa. — Sem dúvida! entre nós não há segredo, nem reservas. — Eis aqui ao que vim, senhor meu, — disse Miguel, tirando da algibeira de seu largo sobretudo uma carteira, que apresentou a Leôncio; — faça o favor de abrir esta carteira; aqui encontrará V. Sa. a quantia exigida pelo senhor seu pai, para a liberdade de uma escrava desta casa por nome Isaura. "Setzen Sie sich", sagte er ihm, "und erzählen sie uns, was uns die Ehre ihres Besuches verschafft." "Vielen Dank", sagte der Neuankömmling, nachdem er respektvoll Henrique und Malvina gegrüßt hatte. Sie sind sicher Herr Leôncio?" "Zu ihren Diensten." "Sehr gut! Es mit Ihnen, mit dem ich sprechen muss, da ihr Vater nicht anwesend ist. Mein Anliegen ist einfach und ich vermute, dass ich es in Gegenwart des Herrn und der Dame vorbringen kann, die wie mir scheint hier wohnen." "Ohne Zweifel! Zwischen uns gibt es keine Geheimnisse und Vorbehalte." "Das ist es, weswegen ich gekommen bin mein Herr", sagte Miguel und zog aus der Tasche seines langen Mantels eine Karte, die er Leôncio zeigte. Bitte öffnen sie den Brief. Sie werden dort die Summe finden, die ihre Exzellenz, ihr Vater, für den Freikauf einer Sklavin mit dem Namen Isaura verlangte."
Leôncio enfiou, e tomando maquinalmente a carteira, ficou alguns instantes com os olhos pregados no teto. — Pelo que vejo, — disse por fim, — o senhor deve ser o pai... aquele que dizem ser o pai da dita escrava. — é o senhor. — não me lembra o nome.. — Miguel, um criado de V. Sa. Leôncio erblasste und nahm mechanisch die Brieftasche, verharrte dann eine Weile die Decke anstarrend. "Soweit ich sehe", sagte er schließlich, "müssen sie der Vater sein, derjenige, von dem man sagt, dass er der Vater ist, sie sind Herr..., der Name ist mir entfallen." "Miguel, zu Diensten Ihrer Exzellenz.
— É verdade; o senhor Miguel. Folgo muito que tenha arranjado meios de libertar a menina; ela bem merece esse sacrifício. "Das stimmt Herr Miguel. Es freut mich, dass Sie die Mittel aufgebracht haben, das Mädchen frei zu kaufen. Sie verdient dieses Opfer."
Enquanto Leôncio abre a carteira, e conta e reconta mui pausadamente nota por nota o dinheiro, mais para ganhar tempo a refletir sobre o que deveria fazer naquelas conjunturas, do que para verificar se estava exata a soma, aproveitemonos do ensejo para contemplar a figura do bom e honrado português, pai da nossa heroína, de quem ainda não nos ocupamos senão de passagem. Era um homem de mais de cinqüenta anos; em sua fisionomia nobre e alerta transpirava a franqueza, a bonomia, e a lealdade. Während Leôncio die Geldbörse öffnet und immer wieder und bedächtig Schein für Schein das Geld zählte, mehr um Zeit zu gewinnen undn darüber nachzudenken, was er in dieser Situation machen sollte, als nachzuprüfen, ob die Summe stimmt, nutzen wir die Gunst der Stunde um die Gestalt des guten und ehrenwerten Portugiesen, Vater unserer Heldin, um den wir uns bislang nur oberflächlich gekümmert haben, näher zu betrachten. Er war ein Mann jenseits der Fünfzig. Seine noble Physiognomie strahlte Offenheit, Gutmütigkeit und Rechtschaffenheit aus.
Trajava pobremente, mas com muito alinho e limpeza, e por suas maneiras e conversação, conhecia-se que aquele homem não viera ao Brasil, como quase todos os seus patrícios, dominado pela ganância de riquezas. Tinha o trato e a linguagem de um homem polido, e de acurada educação. De feito Miguel era filho de uma nobre e honrada família de miguelistas, que havia emigrado para o Brasil. Seus pais, vítimas de perseguições políticas, morreram sem ter nada que legar ao filho, que deixaram na idade de dezoito a vinte anos. Sozinho, sem meios e sem proteção, viu-se forçado a viver do trabalho de seus braços, metendo-se a jardineiro e horticultor, mister este, que como filho de lavrador, robusto, ativo e inteligente, desempenhava com suma perícia e perfeição. Seine Kleidung war schlicht, aber ordentlich und sauber und aus der Art wie er sprach konnte man entnehmen, dass er nicht, wie fast alle seine Landsleute, von der Idee nach Reichtum besessen war. Er hatte das Betragen und die Sprache eines höflichen Mannes wohlerzogenen Mannes. Tatsächlich war Miguel der Sohn einer noblen und ehrenwerten Familie, Anhänger des Bruders von Pedro I Michael. Seine Eltern, Opfer von politischen Verfolgungen, starben ohne ihrem Sohn, der damals zwischen achtzehn und zwanzig Jahre alt war, etwas hinterlassen zu können. Alleine und ohne Protektion, sah er sich gezwungen von der Arbeit seiner Arme zu leben, widmete sich der Gärtnerei und dem Gemüseanbau, ein Gewerbe, das er als Sohn von Bauern, stark, aktiv und intelligent mit großer Umsicht und Perfektion beherrschte.
O pai de Leôncio, tendo tido ocasião de conhecê-lo, e apreciando o seu merecimento, o engajou para feitor de sua fazenda com vantajosas condições. Ali serviu muitos anos sempre mui respeitado e querido de todos, até que aconteceulhe a fatal, mas muito desculpável fraqueza, que sabemos, e em consequência da qual foi grosseiramente despedido por seu patrão. Miguel concebeu amargo ressentimento e mágoa profunda, não tanto por si, como por amor das duas infelizes criaturas, que não podia proteger contra a sanha de um senhor perverso e brutal. Mas forçoso lhe foi resignar-se. Não lhe faltava serviço nem acolhimento pelas fazendas vizinhas. Conhecedores de seu mérito, os lavradores em redor o aceitariam de braços abertos; a dificuldade estava na escolha. Der Vater von Leôncio, dessen Bekanntschaft er gemacht hatte, und der seinen Fähigkeiten schätzte, stellte ihn unter sehr günstigen Bedingungen als Vorarbeiter ein. Dort arbeteite er viele Jahre, von allen respektiert und beliebt, bis er den tragischen, aber entschuldbaren Fehler beging, den wir kennen und aufgrund dessen er sang und klanglos von seinem Arbeitgeber davon gejagt wurde. Miguel war untröstlich und tieftraurig. Nicht wegen seiner eigenen Person, sondern aus Liebe zu den zwei unglücklichen Kreaturen, die er vor dem Zorn eines perversen und brutalen Herrn nicht schützen konnte. Er musste sich aber damit abfinden. An Arbeit und angeboten aus den umliegenden Gutshöfen fehlte es ihm nicht. Da seine Fähigkeiten bekannt waren, empfingen ihn die Höfe der Umgebung mit offenen Armen. Schwierig war es, zu wählen.
Optou pelo mais vizinho, para ficar o mais perto possível de sua querida filhinha. Como o comendador quase sempre achava-se na corte ou em Campos, Miguel tinha muita ocasião e facilidade de ir ver a menina, à qual cada vez ia criando mais entranhado afeto. A esposa do comendador, na ausência deste, dava ao português franca entrada em sua casa, e facilitava-lhe os meios de ver e afagar a filhinha, com o que vivia ele mui consolado e contente. De feito o céu tinha dado à sua filha na pessoa de sua senhora uma segunda mãe tão boa e desvelada, como poderia ser a primeira, e que mais do que esta lhe podia servir de amparo e proteção. A morte inesperada daquela virtuosa senhora veio despedaçar-lhe o coração, quebrando-lhe todas as suas lisonjeiras esperanças. Er wählte das am nächstgelegene Gut um so nah wie möglich bei seiner geliebten Tochter zu sein. Da der Staathalter fast immer in Rio de Janeiro oder in Campos war, hatte Miguel viele Gelegenheiten und Möglichkeiten das Mädchen zu sehen, für die er desto mehr Zuneigung empfand, je älter sie wurde. Die Frau des Statthalters, gewährte bei Abwesenheit des Statthalters, freien Zugang in das Haus und machte es möglich, das Töchterchen zu liebkosen, was ihn tröstete und glücklich machte. Tatsächlich hatte der Himmel in der Person ihrer Herrin seiner Tochter eine so gütig und selbstlos, wie es ihre erste Mutter hätte sein können und mehr noch als diese, konnte sie sie schützen und protegieren. Der Tod dieser ehrenhaften Frau brach ihm das Herz und machte alle seine süßen Hoffnungen zunichte.
Muito pode o amor paterno em uma alma nobre e sensível!... Miguel, sobrepujando todo o ódio, repugnância e asco, que lhe inspirava a pessoa do comendador, não hesitou em ir humilhar-se diante dele, importuná-lo com suas súplicas, rogar-lhe com as lágrimas nos olhos, que abrisse preço à liberdade de Isaura. Die väterliche Liebe vermag viel in einer noblen und sensiblen Seele! Miguel überwand seinen Hass und Ekel, die ihm die Person des Statthalters einflösste und zögerte nicht, sich vor diesem zu erniedrigen, bedrängte ihn mit seinem Flehen, bat ihn mit Tränen in den Augen, dass er einen Preis nenne für den Freikauf von Isaura.
— Não há dinheiro que a pague; há de ser sempre minha, — respondia com orgulhoso cinismo o inexorável senhor ao Um dia enfim para se ver livre das importunações e súplicas de Miguel, disse-lhe com mau modo: "Sie kann mit keinem Geld der Welt bezahlt werden, sie wird immer mir gehören", antwortete mit stolzem Zynismus der Herr dem unglücklichen und betrübten Vater. Eines Tages schließlich, damit er nicht mehr durch die Bitten von Miguel gestört würde, sagte er ihm unwirsch.
— Homem de Deus, traga-me dentro de um ano dez contos de réis, e lhe entrego livre a sua filha e... deixe-me por caridade. Se não vier nesse prazo, perca as esperanças. — Dez contos de réis! é soma demasiado forte para mim.. – mas não importa!... ela vale muito mais do que isso. Senhor comendador, vou fazer o impossível para trazer-lhe essa soma dentro do prazo marcado. Espero em Deus, que me há de ajudar. "Guter Mann, bring mir innerhalb eines Jahres Zehntausend Réis und ich gebe dir deine Tochter frei und... sei jetzt so gut und lass mich in Ruhe. Wenn du nicht innerhalb dieses Zeitraumes kommst, verlierst du alle Hoffnungen. "Zehntausend Réis ist eine sehr große Summe für mich, aber egal. Sie ist sehr viel mehr wert als das. Herr Statthalter, ich werde alles in Bewegung setzen, um ihnen diese Summe innerhalb dieses Zeitraumes zu bringen. Möge Gott mir dabei helfen."
O pobre homem, à força de trabalho e economia, impondo-se privações, vendendo todo o supérfluo, e limitando-se ao que era estritamente necessário, no fim do ano apenas tinha arranjado metade da quantia exigida. Foi-lhe mister recorrer à generosidade de seu novo patrão, o qual, sabendo do santo e nobre fim a que se propunha seu feitor, e do vexame e extorsão de que era vítima, não hesitou em fornecer-lhe a soma necessária, a título de empréstimo ou adiantamento de salários. Leôncio, que como seu pai julgava impossível que Miguel em um ano pudesse arranjar tão considerável soma, ficou atônito e altamente contrariado, quando este se apresentou para lha meter nas mãos. Durch harte Arbeit, indem er sich Entbehrungen auferlegte, alles was überflüssig war verkaufte und sich auf das unbedingt notwendigste beschränkte, konnte der arme Mann bis zum Ende des Jahres nur die Hälfte der verlangten Summe Geldes aufbringen. Er war gezwungen die Großzügigkeit seines neuen Arbeitgebers in Anspruch zu nehmen, der, da er wusste welchem noblen Ziel sich sein Vorarbeiter verschrieben hatte und er um die Niederträchtigkeit und Ausbeutung deren Opfer er war wusste, nicht zögerte ihm die nötige Summe als Vorauszahlung auf den Lohn zu geben. Leôncio, der wie sein Vater es für unmöglich hielt, dass Miguel in einem Jahr eine so große Summe zusammenbringen könnte, war erstaunt und sehr verstimmt, als dieser kam um sie ihm in die Hände zu legen.
— Dez contos, – disse por fim Leôncio acabando de contar o dinheiro. — É justamente a soma exigida por meu pai. — Bem estólido e avaro é este meu pai, murmurou ele consigo, — eu nem por cem contos a daria. — Senhor Miguel, — continuou em voz alta, entregando-lhe a carteira, — guarde por ora o seu dinheiro; Isaura não me pertence ainda; só meu pai pode dispor dela. Meu pai acha-se na corte, e não deixou-me autorização alguma para tratar de semelhante negócio. Arranje-se com ele. "Zehntausend", sagte Leôncio nachdem er das Geld gezählt hatte. "Das ist genau die Summe, die mein Vater verlangt hatte. Ziemlich dumm und geizig ist mein Vater", murmelte er vor sich hin, "ich würde sie nicht mal für Hundertausend abgeben." "Herr Miguel", fuhr er mit lauter Stimme fort und gab ihm die Geldbörse zurück, "behalten Sie erstmal ihr Geld. Isaura gehört mir noch nicht, nur mein Vater kann über sie verfügen. Mein Vater ist in Rio de Janeiro und hat mir nicht die Erlaubnis gegeben, solche Geschäfte abzuwickeln. Einigen Sie sich mit ihm."
— Mas V. Sa. é seu filho e herdeiro único, e bem podia por si mesmo... — Alto lá, senhor Miguel! meu pai felizmente é vivo ainda, e não me é permitido desde já dispor de seus bens, como minha herança. — Embora, senhor; tenha a bondade de guardar esse dinheiro e enviá-lo ao senhor seu pai, rogando-lhe da minha parte o favor de cumprir a promessa que me fez de dar liberdade a Isaura mediante essa quantia. — Ainda pões dúvida, Leôncio?! – exclamou Malvina impaciente e indignada com as tergiversações do marido. — Escreve, escreve quanto antes a teu pai; não te podes esquivar sem desonra a cooperar para a liberdade dessa rapariga. "Aber Ihre Exzellenz ist sein Sohn und einziger Erbe, Sie könnten gut alleine..." "Halt, Herr Miguel! Mein Vater ist glücklicherweise noch am Leben und er hat mir nicht erlaubt, schon jetzt über mein Erbe wie über meinen Besitz zu verfügen." "Dann haben Sie die Güte, dieses Geld zu behalten und es ihrem Vater zu schicken, ihn in meinem Namen bittend, das Versprechen, das er mir gegeben hat zu erfüllen und Isaura gegen diese Summe freizulassen." "Du zweifelst immer noch Leôncio?!", rief Malvina ungeduldig und entrüstet über die Ausreden ihres Mannes, "schreib ihm, schreib sofort an deinen Vater, du kennst wenn du nicht deine Ehre verlieren willst nicht verhindern, bei der Befreiung dieses Mädchens zu kooperieren."
Leôncio, subjugado pelo olhar imperioso da mulher, e pela força das circunstâncias, que contra ele conspiravam, não pôde mais escusar-se. Pálido e pensativo, foi sentar-se junto a uma mesa, onde havia papel e tinta, e de pena em punho pôs-se a meditar em atitude de quem ia escrever. Malvina e Henrique, debruçados a uma janela, conversavam entre si em voz baixa. Miguel, sentado a um canto na outra extremidade da sala, esperava pacientemente, quando Isaura, que do quintal, onde se achava escondida, o tinha visto chegar, entrando no salão sem ser sentida, se lhe apresentou diante dos olhos. Entre pai e filha travou-se a meia voz o seguinte diálogo: Leôncio, eingeschüchtert durch den herrischen Blick seiner Frau und durch die Kraft der Umstände, die sich gegen ihn verschworen hatten, konnte keine Ausflüchte mehr machen. Blass und nachdenklich, setzte er sich an den Tisch, wo Papier und Tinte war und mit dem Stift in der Hand nachdenkend nahm er die Haltung von jemandem ein, der etwas schreiben will. Malvina und Henrique, am Fenster dicht beeinanderstehend, unterhielten sich lese. Miguel, an einer anderen Ecke des Raumes sitzend, wartete geduldig, als Isaura, die von ihrem Versteck im Garten gesehen hatte, dass er gekommen war, in den Salon trat ohne wahrgenommen worden zu sein, vor seine Augen trat. Zwischen Vater und Tochter entspann sich dieser halblaute Dialog:
— Meu pai!... que novidade o traz aqui?... a modo que lhe estou vendo um ar mais alegre que de costume. — Calada! — murmurou Miguel, levando o dedo à boca e apontando para Leôncio. — Trata-se da tua liberdade. — Deveras, meu pai!... mas como pôde arranjar isso? — Ora como?!... a peso de ouro. Comprei-te, minha filha, e em breve vais ser minha. "Mein Vater, was für Neuigkeiten bringst du? Ich sehe sie heute fröhlicher als sonst." "Sei still", murmelte Miguel und legte den Finger an den Mund und zeigte auf Leôncio, "es geht um deine Freiheit." "Wirklich?! Wie wurde das bewerkstelligt?" "Wie wohl?! Mit dem Gewicht des Goldes. Ich habe dich gekauft meine Tochter und bald wirst du mein sein."
— Ah! meu querido pai!... como vossemecê é bom para sua filha!... se soubesse quantos hoje já me vieram oferecer a liberdade!... mas por que preço! meu Deus!... nem me atrevo a lhe contar. Meu coração adivinhava, continuou beijando com terna efusão as mãos de Miguel; — eu não devia receber a liberdade senão das mãos daquele que me deu a vida!... "Oh, mein geliebter Vater! Wie gut sind Sie zu Ihrer Tochter! Wenn Sie wüssten wie viele mir heute schon die Freiheit versprochen haben! Aber um welchen Preis! Mein Gott! Ich wage kaum es Ihnen zu erzählen. Mein Herz ahnte", fuhr sie fort und küsste in zärtlichem Überschwang die Hände von Miguel, "dass ich nur von dem die Freiheit erlangen kann, der mir das Leben gab!"
— Sim, querida Isaura! — disse o velho apertando-a contra o coração. — O céu nos favoreceu, e em breve vais ser minha, minha só, minha para sempre!... — Mas ele consente?... perguntou Isaura apontando para Leôncio. — O negócio não é com ele, é com seu pai, a quem agora escreve. — Nesse caso tenho alguma esperança; mas se minha sorte depender somente daquele homem, serei para sempre escrava. — Arre! com mil diabos!... resmungou consigo Leôncio levantando-se, e dando sobre a mesa um furioso murro com o punho fechado. — Não sei que volta hei de dar para desmanchar esta inqualificável loucura de meu pai! — Já escreveste, Leôncio? — perguntou Malvina voltando-se para dentro. "Ja Isaura!", sagte der Alter und drückte sie an sein Herz, "der Himmel war uns gnädig gestimmte und bald wirst du mir gehören, nur mir, für immer!" "Aber stimmt er zu?", fragte Isaura und zeigte auf Leôncio. "Das ist nicht seine Angelegenheit, es ist Sache seines Vaters, an den er jetzt gerade schreibt." "In diesem Fall habe ich Hoffnung, denn wenn mein Schicksal nur von ihm abhinge, würde ich für immer Sklavin sein." "Verdammt und verflucht!", brummte bei sich Leôncio und erhob sich vom Tisch mit einem wütenden Schlag mit der geschlossenen Faust, "ich weiß nicht, wie ich diese Riesendummheit meines Vaters ausbügeln kann!" "Hast du es geschrieben, Leôncio?", fragte Malvina und drehte sich um.
Antes que Leôncio pudesse responder a esta pergunta, um pajem, entrando rapidamente pela sala, entrega-lhe uma carta tarjada de preto. — De luto!... meu Deus!... que será! — exclamou Leôncio, pálido e trêmulo, abrindo a carta, e depois de a ter percorrido rapidamente com os olhos lançou-se sobre uma cadeira, soluçando e levando o lenço aos olhos. — Leôncio! Leôncio!... que tem?... exclamou Malvina pálida de susto; e tomando a carta que Leôncio atirara sobre a mesa, começou a ler com voz entrecortada: "Leôncio, tenho a dar-te uma dolorosa notícia, para a qual teu coração não podia estar preparado. E um golpe, pelo qual todos nós temos de passar inevitavelmente, e que deves suportar com resignação. Teu pai já não existe; sucumbiu anteontem subitamente, vítima de uma congestão cerebral..." Noch bevor Leôncio auf diese Frage antworten konnte, betrat ein Page eiligen Schrittes des Raum und übergab ihm einen schwarz umrandeten Brief. "Ein Trauerbrief! Mein Gott! Was wird es sein!", rief Leôncio, blass und zitternd, während er den Brief öffnete und nachdem er ihn schnell überflogen hatte, warf er sich auf einen Stuhl, schluchzend und das Taschentuch an die Augen haltend. " Leôncio! Leôncio! Was hast du ?", rief Malvina blass vor Schreck. Sie nahm die Karte, die Leôncio auf den Tisch geworfen hatte und begann mit gebrochener Stimme zu lesen: " Leôncio! Ich muss dir eine traurige Mitteilung machen, auf die dein Herz nicht vorbereitet sein kann. Es ist ein Schlag, der uns unausweichlich alle irgendwann mal trifft und den du mit Fassung ertragen musst. Dein Vater existiert nicht mehr. Er ist gestern plötzlich an einem Gehirninfarkt gestorben."
Malvina não pôde continuar; e nesse momento, esquecendo-se das injúrias e de tudo que lhe havia acontecido naquele nefasto dia, lançou-se sobre seu marido, e abraçando-se com ele estreitamente, misturava suas lágrimas com as dele. —Ah! meu pai! meu pai!... tudo está perdido! — exclamou Isaura, pendendo a linda e pura fronte sobre o peito de Miguel. — Já nenhuma esperança nos resta!... —Quem sabe, minha filha! — replicou gravemente o pai. – Não desanimemos; grande é o poder de Deus!... Malvina konnte nicht fortfahren. In diesem Moment vergaß sie alle Beleidigungen und alles, was ihr an diesem unheilvollen Tag zugestoßen war und warf sich auf ihren Mann, umarmte ihn innig, mischte ihre Tränen mit den seinen. "Ach mein Vater! Mein Vater! Alles ist verloren!", rief Isaura und lehnte ihre schöne und reine Stirn an die Brust von Miguel, "nun bleibt keine Hoffnung mehr!" "Wer weiß, meine Tochter", erwiderte der Vater ernst, "verlieren wir nicht die Hoffnung, groß ist die Macht Gottes!"

Kontakt Datenschutzerklärung Impressum