I. Kapitel: A escrava Isaura als einzelne Kapitel

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Na fazenda de Leôncio havia um grande salão toscamente construído, sem forro nem soalho, destinado ao trabalho das escravas que se ocupavam em fiar e tecer lã e algodão. Os móveis deste lugar consistiam em tripeças, tamboretes, bancos, rodas de fiar, dobadouras, e um grande tear colocado a um canto. Ao longo do salão, defronte de largas janelas guarnecidas de balaústres, que davam para um vasto pálio interior, via-se postada uma fila de fiandeiras. Eram de vinte a trinta negras, crioulas e mulatas, com suas tenras crias ao colo ou pelo chão a brincarem em redor delas. Auf dem Gut von Leôncio gab es ein großes, primitives Gebäude, ohne Verputz und ohne Fußboden, das für die Arbeit der Sklaven bestimmte war, die die Baumwolle spannten und verwebten. Die Möbel dieses Ortes bestanden aus Hockern, Schemeln, Bänken, Spinnräder, Spindeln und einem großen Webstuhl, der in der Ecke stand. Auf der ganzen Länge des Saales, vor Fenstern die auf einen Innehof zeigten und durch Säulen verziert waren, saß eine Reihe von Spinnerinnen. Es waren etwa zwanzig Schwarze, Kreolinnen und Mulattinen, mit ihren kleinen Kindern am Hals oder um sie herum auf dem Boden spielend.
Umas conversavam, outras cantarolavam para encurtarem as longas horas de seu fastidioso trabalho. Viam-se ali caras de todas as idades, cores e feitios, desde a velha africana, trombuda e macilenta, até à roliça e luzidia crioula, desde a negra brunida como azeviche até à mulata quase branca. Einige unterhielten sich, einige trällerten um die langen Stunden der harten Arbeit zu verkürzen. Man sah dort Gesichter allen Alters, Farben und Formen. Von der alten, mürrischen und verhärmten Afrikanerin, bis zur rundlichen und glänzenden Kreolin, von der pechschwarzen Afrikanerin bis zur fast weißen Mulattin.
Entre estas últimas distinguia-se uma rapariguinha, a mais faceira e gentil que se pode imaginar nesse gênero. Esbelta e flexível de corpo, tinha o rostinho mimoso, lábios um tanto grossos, mas bem modelados, voluptuosos, úmidos, e vermelhos como boninas que acabam de desabrochar em manhã de abril. Os olhos negros não eram muito grandes, mas tinham uma viveza e travessura encantadoras. Os cabelos negros e anelados podiam estar bem na cabeça da mais branca fidalga de além-mar. Ela porém os trazia curtos e mui bem frisados à maneira dos homens. Isto longe de tirar-lhe a graça, dava à sua fisionomia zombeteira e espevitada um chispe original e encantador. Unter diesen stach eine Mädchen hervor, so herausgeputzt und nett wie man sich das in der Art nur vorstellen kann. Schön und mit einem schlanken Körper, hatte sie ein liebliches Gesicht, ein bisschen dicke Lippen, aber schön geschnitten, sinnlich, feucht und rot wie Wunderblume an einem Morgen im April. Die schwarzen Augen waren nicht groß, hatten aber eine Lebendigkeit und eine bezaubernde Schalkhaftigkeit. Die schwarzen und lockigen Haare hätten auch den Kopf des weißesten Mädchens jenseits des Meeres zieren können. Sie jedoch trug sie kurz und gut frisiert in der Art, wie Männer dies tun. Das minderte aber nicht ihre Anmut, sondern gab ihrer schalkhaften und frechen Physiognomie eine orginellen und bezaubernden Funken.
Se não fossem os brinquinhos de ouro, que lhe tremiam nas pequenas e bem molduradas orelhas, e os túrgidos e ofegantes seios que como dois trêfegos cabritinhos lhe pulavam por baixo de transparente camisa, tomá-la-íeis por um rapazote maroto e petulante. Veremos em breve de que ralé era esta criança, que tinha o bonito nome de Rosa. Wäre da nicht die Ohrringe aus Gold gewesen, die an ihren kleinen und wohlgeformten Ohren baumelten der feste, bebende Busen gewesen, die wie zwei unruhige Zieglein unter der durchsichtigen Bluse hüpften, hätte man sie für eine kessen und vorwitzigen Jungen halten können. Wir werden bald sehen, was für ein Abschaum dieses Mädchen war, was den schönen Name Rosa trug.
No meio do sussurro das rodas, que giravam, das monótonas cantarolas das fiandeiras, do compasso estrépito do tear, que trabalhava incessantemente, dos guinchos e alaridos das crianças, quem prestasse atento ouvido, escutaria a seguinte conversação, travada timidamente e a meia voz em um grupo de fiandeiras, entre as quais se achava Rosa. Inmitten des Summens der Räder, die sich drehten, den monotonen Gesängen der Spinnerinnen, rhythmischen Krach des Webstuhles, der ununterbrochen arbeitete, dem Gequitsche und Geschrei der Kinder, hätte man, so man darauf geachtet hätte, das folgende Gespräch, geführt im Flüsterton von einer Gruppe Spinnerinnen, unter denen sich auch Rosa befand.
— Minhas camaradas, — dizia a suas vizinhas uma crioula idosa, matreira e sabida em todos os mistérios da casa desde os tempos dos senhores velhos, — agora que sinhô velho morreu, e que sinhá Malvina foi-se embora para a casa de seu pai dela, é que nós vamos ver o que e rigor de cativeiro. — Como assim, tia Joaquina?!... "Meine Kameradinnen", sagte eine alte, gewitzte Kreolin, die über alle Vorgänge im Haus seit der Zeit der ehemaligen Herren wohl unterrichtet war, "jetzt, wo der alte Herr gestorben ist und die Frau Malvina zu ihrem Vater gegangen ist, werden wir die ganze Strenge der Gefangenschaft zu spüren bekommen." "Wie das, Tante Joaquina?!"
— Como assim!... vocês verão. Vocês bem sabem, que sinhô velho não era de brinquedo; pois sim; lá diz o ditado — atrás de mim virá quem bom me fará. — Este sinhô moço Leôncio... hum!... Deus queira que me engane... quer-me parecer que vai-nos fazer ficar com saudade do tempo de sinhô velho... — Cruz! ave Maria!... não fala assim, tia Joaquina!... então é melhor matar a gente de uma vez... "Wie da! Das wirst du noch sehen. Ihr wisst alle, dass mit dem alten Herrn nicht zu spaßen war, aber es gilt das Sprichwort, were nach mir kommt, wird mich besser erscheinen lassen. Der junge Herr Leôncio... puh. Möge Gott, dass ich mich irre, aber mir will es scheinen, dass er uns mit Sehnsucht an die Zeiten des alten Herrn denken lässt." "Heilige Maria! Sprich nicht so Tante Joaquina! Dann ist es besser alle Leute auf einmal umzubringen."
— Este não quer saber de fiados nem de tecidos, não; e daqui a pouco nós tudo vai pra roça puxar enxada de sol a sol, ou pra o cafezal apanhar café, e o pirai do feitor aí rente atrás de nós. Vocês verão. Ele o que quer é café, e mais café, que é o que dá dinheiro. "Der will weder was von Fäden noch von Leinen wissen. In Kürze werden wir auf die Äcker müssen und mit der Hacke arbeiten von Sonnenaufgang bis Sonnenuntergang oder auf die Kaffeplantagen, Kaffee pflücken, mit der Peitsche des Vorarbeiters dicht hinter uns. Ihr werdet sehen. Was er will ist Kaffee und noch mehr Kaffee, das ist es, was Geld abwirft."
— Também, a dizer a verdade, não sei o que será melhor, — observou outra escrava, — se estar na roça trabalhando de enxada, ou aqui pregada na roda, desde que amanhece até nove, dez horas da noite. Quer-me parecer que lã ao menos a gente fica mais à vontade. — Mais à vontade?!.., que esperança! — exclamou uma terceira. — Antes, aqui, mil vezes! aqui ao menos a gente sempre está livre do maldito feitor. "Ich weiß auch nicht, um die Wahrheit zu sagen, was besser wäre", bemerkte eine andere Sklavin, "auf dem Acker zu sein und mit der Hacke den Boden bearbeiten oder hier von ab der Morgendämmerung bis um neun, zehn Uhr nachts an das Rad gefesselt zu sein. Es will mir scheinen, dass es dort besser ist." "Besser?!", was für eine Hoffnung", rief eine Dritte. "Hier ist es Tausend Mal besser! Hier ist man wenigstens sicher vor dem Vorarbeiter."
— Qual, minha gente! — ponderou a velha crioula — tudo é cativeiro. Quem teve a desgraça de nascer cativo de um mau senhor, dê por aqui, dê por acolá, há de penar sempre. Cativeiro é má sina; não foi Deus que botou no mundo semelhante coisa, não; foi invenção do diabo. Não vê o que aconteceu com a pobre Juliana, mãe de Isaura? "Ist doch egal!", warf die alte Kreolin ein, "alles ist Gefangenschaft. Wer das Pech hat als Gefangene eines bösartigen Herrn geboren worden zu sein, ob hier oder da, es muss sein ganzes Leben büßen. Gefangenschaft ist eine schlechte Sache. Nicht Gott hat sowas in die Welt gesetzt, das ist eine Erfindung des Teufels. Siehst du nicht, was mit der armen Julianes, der Mutter von Isaura passiert ist?"
— Por falar nisso, — atalhou uma das fiandeiras, — o que fica fazendo agora a Isaura?... enquanto sinhá Malvina estava aí, ela andava de estadão na sala, agora... — Agora fica fazendo as vezes de sinhá Malvina, — acudiu Rosa com seu sorriso maligno e zombeteiro. "Wo wir davon reden", unterbrach eine der Spinnerinnen, "was macht Isaura jetzt? Solange Malvina da war, machte sie auf feine Dame im Salon, jetzt..." "Jetzt spielt sie manchmal Herrin Malvina", bemerkte Rosa mit ihrem bösartigen und schelmischen Lächeln.
— Cala a boca, menina! — bradou com voz severa a velha crioula. — Deixa dessas falas. Coitada da Isaura. Deus te livre a você de estar na pele daquela pobrezinha! se vocês soubessem quanto penou a pobre da mãe dela! ah! aquele sinhô velho foi um home judeu mesmo, Deus te perdoe. Agora com Isaura e sinhô Leôncio a coisa vai tomando o mesmo rumo. Juliana era uma mulata bonita e sacudida; era da cor desta Rosa mas inda mais bonita e mais bem feita... "Halt den Mund Mädchen", rief die alte Kreolin mit ernster Stimme. "Hör auf so zu reden, die arme Isaura. Möge Gott dich davor schützen in ihrer Haut zu stecken! Wenn ihr wüsstet wie ihre arme Mutter gelitten hat! Ah! Dieser alte Herr war ein echter Jude, Gott vergebe dir. Die Geschichte zwischen Isaura und Herr Leôncio fängt an in dieselbe Richtung zu gehen. Juliana war eine hübsche und aufgeweckte Mulattin. Sie hatte die gleiche Farbe wie Rosa, aber noch hübscher und besser gebaut.
Rosa deu um muxoxo, e fez um momo desdenhoso. — Mas isso mesmo foi a perdição dela, coitada! — continuou a crioula velha. — O ponto foi sinhô velho gostar dela... eu já contei a vocês o que é que aconteceu. Juliana era uma rapariga de brio, e por isso teve de penar, até morrer. Nesse tempo o feitor era esse siô Miguel, que anda aí, e que é pai de Isaura. Isso é que era feitor bom!... todo mundo queria ele bem, e tudo andava direito. Mas esse siô Francisco, que ai anda agora, cruz nele!... é a pior peste que tem botado os pés nesta casa. Rosa verzog den Mund und machte eine verächtliche Grimasse. "Aber genau das war ihr Verderben, die Arme", fuhr die die alte Kreolin fort, "der Punkt war, dass sie dem alten Herrn gefiel...Ich habe euch schon gesagt, was passiert ist. Juliana war eine stolze Frau und dafür musste sie büßen bis zum Tod. Zu dieser Zeit war Miguel, der jetzt hier herumläuft, der Vorarbeiter, und er ist der Vater von Isaura. Er war ein guter Vorarbeiter! Alle Welt mochte ihn und alles war in Ordnung. Doch dieser Herr Francisco, der jetzt noch hier unterwegs ist, er sei verflucht! Er ist die schlimmste Pest die jemals dieses Haus betrat.
Mas, como ia dizendo, o siô Miguel gostava muito de Juliana, e trabalhou, trabalhou até ajuntar dinheiro para forrar ela. Mas nhonhô não esteve por isso, ficou muito zangado, e tocou o feitor para fora. Também Juliana pouco durou; pirai e serviço deu co'ela na cova em pouco tempo. Picou aí a pobre menina ainda de mama, e se não fosse sinhá velha, que era uma santa mulher, Deus sabe o que seria dela!... também, coitada!... antes Deus a tivesse levado!... Aber wie ich schon sagte, Herr Miguel gefiel Juliana und er arbeitete und arbeitete um das Geld für ihren Freikauf zusammenzubringen. Aber der Alte hielt davon gar nichts und warf den Vorarbeiter hinaus. Auch Juliana hielt nicht mehr lange durch. Die Peitsche und die Arbeit schickte sie ini kurzer Zeit ins Grab. Übrig blieb das Mädchen, noch ein Säugling und wenn die Alte nicht gewesen wäre, eine Frau wie eine Heilige, Gott weiß was mit der Armen geschehen wäre... Gott hätte sie besser schon früher zu sich genommen!"
— Por quê, tia Joaquina?... — Porque está-me parecendo, que ela vai ter a mesma sina da mãe... — E o que mais merece aquela impostora? — murmurou a invejosa e malévola Rosa. — Pensa que por estar servindo na sala é melhor do que as outras, e não faz caso de ninguém. Deu agora em namorar os moços brancos, e como o pai diz que há de forrar ela, pensa que e uma grande senhora. Pobre do senhor Miguel!... não tem onde cair morto, e há de ter para forrar a filha! "Warum Tante Joaquina?" "Weil es mir scheint, dass sie dasselbe Schicksal erleiden wird wie die Mutter..." "Is es nicht das, was diese Betrügerin auch verdient?", murmelte die neidische und bösartie Rosa, "sie denkt, weil sie im Hause bedient ist sie was besseres als die anderen und beachtet niemanden. Sie verdreht den weißen Jungen den Kopf und da der Vater sagt, dass er sie freikauft, denkt sie, dass sie eine große Dame ist. Amer Herr Miguel! Er weiß nicht, wo er sich als Toter hinlegen soll, aber er soll genug Geld aufbringen, um die Tochter freizukaufen!"
— Que má língua é esta Rosa! — murmurou enfadada a velha crioula, relanceando um olhar de repreensão sobre a mulata. – Que mal te fez a pobre Isaura, aquela pomba sem fel, que com ser o que e, bonita e civilizada como qualquer moça branca, não é capaz de fazer pouco caso de ninguém?... Se você se pilhasse no lugar dela, pachola e atrevida como és, havias de ser mil vezes pior. "Was für eine böse Zunge hat diese Rosa!", brummte die alte Kreolin wütend und warf einen tadelnden Blick auf die Mulattin, "was hat die arme Isaura, diese Taube ohne Hochmut, die so wie sie ist, hübsch und zivilisiert wie jede weiße Mädchen, nicht fähig ist irgendjemanden von oben herab zu behandeln? Wenn du an ihrer Stelle wärest, hochnäsig und frech wie du bist, wärest du Tausend Mal schlimmer."
Rosa mordeu os beiços de despeito, e ia responder com todo o atrevimento e desgarre, que lhe era próprio, quando uma voz áspera e atroadora, que, partindo da porta do salão, retumbou por todo ele, veio pôr termo à conversação das fiandeiras. Rosa biss sich vor Verdruss auf die Lippen und war im Begriff mit aller Kühnheit und Dreistigkeit, die ihr eigen war antworten, als eine raue und donnernde Stimme aus der Richtung der Tür des Saales, die durch den ganzen Raum hallte, dem Gespräch der Spinnerinnen ein Ende setzte.
— Silêncio! — bradava aquela voz. — Arre! que tagarelice!... parece que aqui só se trabalha de língua!... "Ruhe", schrie diese Stimme, "Schluss mit diesem Geschwätz! Es scheint, dass hier nur mit der Zunge gearbeitet wird!"
Um homem espadaúdo e quadrado, de barba espessa e negra, de fisionomia dura e repulsiva, apresenta-se à porta do salão, e vai entrando. Era o feitor. Acompanhava-o um mulato ainda novo, esbelto e aperaltado, trajando uma bonita libré de pajem, e conduzindo uma roda de fiar. Logo após eles entrou Isaura. As escravas todas levantaram-se e tomaram a bênção ao feitor. Este mandou colocar a roda em um espaço desocupado, que infelizmente para Isaura ficava ao pé de Rosa. Ein breitschultriger und knochiger Mann mit dichtem, schwarzen Bart, mit einer harten und widerwärtigen Physiognomie erschien in der Tür des Gebäudes und kam herein. Er war der Vorarbeiter. Er wurde von einem noch neuen Mulatten begleitet, elegant und geckenhaft begleitet, der eine hübsche Pagenlivree trug und ein Spinnrad trug. Gleich nach ihnen kam Isaura. Die Sklavinnen erhoben sich und verneigten sich vor dem Vorarbeiter. Er befahl das Spinnrad an einem ungenutzten Platz zu stellen, der sich unglücklicherweise zu Füßen von Rosa befand.
— Anda cá, rapariga; — disse o feitor voltando-se para Isaura. — De hoje em diante é aqui o teu lugar; esta roda te pertence, e tuas parceiras que te dêem tarefa para hoje. Bem vejo que te não há de agradar muito a mudança; mas que volta se lhe há de dar?... teu senhor assim o quer. Anda lá; olha que isto não é piano, não; é acabar depressa com a tarefa para pegar em outra. Pouca conversa e muito trabalhar... "Komm her Mädchen", sagte der Vorarbeiter und wandte sich Isaura zu, "von heute an ist das dein Platz, dieses Spinnrad gehört dir und deine Kameradinnen werden dir die Aufgaben für heute zuweisen. Ich sehe schon, dass der Wechsel dir nicht gefällt, aber was kann man da ändern? Dein Herr will es so. Geh dahin und merke dir, das ist nicht Piano. Es geht darum schnell fertig zu werden und was anderes anzufangen. Also wenig reden und viel arbeiten.
Sem se mostrar contrariada nem humilhada com a nova ocupação, que lhe davam, Isaura foi sentar-se junto a roda, e pôs-se a prepará-la para dar começo ao trabalho. Posto que criada na sala e empregada quase sempre em trabalhos delicados, todavia era ela hábil em todo o gênero de serviço doméstico: sabia fiar, tecer, lavar, engomar, e cozinhar tão bem ou melhor do que qualquer outra. Foi pois colocar-se com toda a satisfação e desembaraço entre as suas parceiras; apenas notava-se no sorriso, que lhe adejava nos lábios, certa expressão de melancólica resignação; mas isso era o reflexo das inquietações e angústias, que lhe oprimiam o coração, que não desgosto por se ver degradada do posto que ocupara toda sua vida junto de suas senhoras. Ohne ein Zeichen der Auflehnung oder der Demütigung durch die neue Tätigkeit, die man ihr gab, setzte sich Isaura an das Rad und fing an es vorzubereiten um mit der Arbeit zu beginnen. Obwohl sie im Salon nur für Arbeiten eingesetzt wurde, die viel Fingerfertigkeit erforderten, konnte sie noch alle Hausarbeiten ausführen. Sie konnte so gut spinnen, weben, waschen, bügeln und kochen wie jede andere. Sie ließ sich also zufrieden und ohne Hemmungen zwischen ihresgleichen nieder. Nur in dem Lächeln das ihren Mund umspielte, konne man einen gewissen Ausdruck an melancholischer Resignation erkennen. Dies jedoch war lediglich ein Reflex auf die Unruhe und Angst, die ihr das Herz bedrückten und nicht die Verbitterung darüber, dass sie den Platz in der Nähe ihrer Herrschaft verloren hatte.
Cônscia de sua condição, Isaura procurava ser humilde como qualquer outra escrava, porque a despeito de sua rara beleza e dos dotes de seu espirito, os fumos da vaidade não lhe intumesciam o coração, nem turvavam-lhe a luz de seu natural bom senso. Não obstante porém toda essa modéstia e humildade transiuzialhe, mesmo a despeito dela, no olhar, na linguagem e nas maneiras, certa dignidade e orgulho nativo, proveniente talvez da consciência de sua superioridade, e ela sem o querer sobressaía entre as outras, bela e donosa, pela correção e nobreza dos traços fisionômicos e por certa distinção nos gestos e ademanes. Sich ihrer Situation bewusst, versuchte Isaura unterwürfig wie jede andere Sklavin zu sein, denn trotz ihrer seltenen Schönheit und den Gaben ihres Geistes, ließ die Eitelkeit ihr Herz nicht verstummen und verdunkelten auch nicht das Licht ihrer natürlichen Urteilskraft. Jedoch trotz ihrer Bescheidenheit und Unterwürfigkeit strahlte sie, wenn auch von ihr nicht gewollt, in ihren Blicken, in der Art, wie sie sprach und in ihren Bewegungen eine gewissen Würde aus und natürlichen Stolz aus, der vielleicht dem Bewusstsein ihrer Überlegenheit geschuldet war und so überragte sie, schön und anmutig, durch ihre Erziehung und die Vornehmheit ihrer Gesichtszüge imd durch die Distinguiertheit ihrer Gesten und und Bewegungen alle anderen, ohne dies zu wollen.
Ninguém diria que era uma escrava, que trabalhava entre as companheiras, e a tomaria antes por uma senhora moça, que, por desenfado, fiava entre as escravas. Parecia a garça-real, alçando o colo garboso e altaneiro, entre uma chusma de pássaros vulgares. Niemand hätte gesagt, dass sie eine Sklavin sei, die zusammen mit ihresgleichen eine Arbeit verrichtete und man hätte sie für junge Dame gehalten, die aus einer Laune heraus zwischen den Sklaven Baumwolle verspann. Sie schien wie ein Kappenreiher der dem anmutigen Hals inmitten eines Schwarmes gewöhnlicher Vögel emporstreckte.
As outras escravas a contemplavam todas com certo interesse e comiseração, porque de todas era querida, menos de Rosa, que lhe tinha inveja e aversão mortal. Em duas palavras o leitor ficará inteirado do motivo desta malevolência de Rosa. Não era só pura inveja; havia aí alguma coisa de mais positivo, que convertia essa inveja em ódio mortal. Die anderen Sklavinnen betrachteten sie mit einer Mischung aus Interesse und Mitleid, den alle, außer Rosa, die sie beneidete und eine tödlichen Hass gegen sie hegte, mochten sie. Es genügen wenige Worte, damit der Leser über den Grund dieser Abneigung Rosas informiert ist. Es war nicht nur Neid. Es gab da auch etwas Substantielleres, dass diesen Neid in tödlichen Hass verwandelte.
Rosa havia sido de há muito amásia de Leôncio, para quem fora fácil conquista, que não lhe custou nem rogos nem ameaças. Desde que, porém, inclinou-se a Isaura, Rosa ficou inteiramente abandonada e esquecida. A gentil mulatinha sentiu-se cruelmente ferida em seu coração com esse desdém, e como era maligna e vingativa, não podendo vingar-se de seu senhor, jurou descarregar todo o peso de seu rancor sobre a pessoa de sua infeliz rival. Rosa war lange Zeit die Geliebte von Leôncio gewesen, der sie leicht, ohne langes Bitten und Drohen, erobern konnte. Seit er sich aber Isaura zugewendet hatte, war Rosa verlassen und vergessen. Die nette, kleine Mulattin fühlte sich durch diese Verachtung grausam in ihrem Herzen verletzt und da sie bösartig und rachsüchtig war, schwor sie, da sie sich an ihrem Herrn nicht rächen konnte, ihre ganze Verbitterung auf ihrer unglücklichen Rivalin abzuladen.
— Um raio que te parta, maldito! — Má lepra te consuma, coisa ruim! — Uma cascavel que te morda a língua, cão danado! — Estas e outras pragas vomitavam as escravas resmungando entre si contra o feitor, apenas este voltoulhes as costas. O feitor é o ente mais detestado entre os escravos; um carrasco não carrega com tantos ódios abominado mais do que o senhor cruel, que o muniu do azorrague desapiedado para açoitá-los e acabrunhá-los de trabalhos. É assim que o paciente se esquece do juiz, que lavrou a sentença para revoltar-se contra o algoz, que a executa. "Soll dich der Blitz treffen, verfluchter! Soll die Lepra dich zerfressen, Abschaum! Eine Klapperschlange soll dir die Zunge abbeißen, verfluchter Hund! Diese und andere Flüche stießen die Sklavinnen vor sich hinbrummend gegen den Vorarbeiter aus, sobald er ihnen den Rücken zukehrte. Der Vorarbeiter ist das meistgehasste Wesen der Sklaven. Ein Unmensch zieht nicht so viel Hass auf sich, ist nicht so verhasst, wie der grausame Herr, der ihm die unbarmherzige Peitsche gab um sie auszupeitschen und sie mit Arbeiten quält. Und gleichermaßen vergisst der Delinquent den Richter, der das Urteil gesprochen hat, um sich gegen den Henker zu richten, der es ausführt.
Como já dissemos, coube em sorte a Isaura sentar-se perto de Rosa. Esta assestou logo contra sua infeliz companheira a sua bateria de ditérios e remoques sarcásticos e irritantes. — Tenho bastante pena de você, Isaura. disse Rosa para dar começo às operações. Wie wir schon sagten, es war das Schicksal von Isaura neben Rosa gesetzt zu werden. Diese feuerte sofort ihre Salve an Schmähungen und sarkastischen und bösartigen Bemerkungen gegen Isaura ab. "Ich bedauere dich wirklich, Isaura", sagte Rosa zur Einleitung des Prozesses.
— Deveras! — respondeu Isaura, disposta a opor às provocações de Rosa toda a sua natural brandura e paciência. Pois por quê, Rosa?... — Pois não é duro mudar-se da sala para a senzala, trocar o sofá de damasco por esse cepo, o piano e a almofada de cetim por essa roda? Por que te enxotaram de lá, Isaura? — Ninguém me enxotou, Rosa; você bem sabe. Sinhá Malvina foi-se embora em companhia de seu irmão para a casa do pai dela. — Portanto nada tenho que fazer na sala, e é por isso que venho aqui trabalhar com vocês. "Wirklich!", antwortete Isaura, entschlossen den Provokationen von Rosa ihre natürliche Sanftmut und Geduld entgegenzusetzen, "aber warum Rosa?" "Ist es nicht hart vom Salon in das Sklavenhaus gebracht zu werden, das Sofa aus Damast mit diesem Schemel zu tauschen, das Piano und das Kissen aus Seide gegen dieses Rad? Warum hat man dich dort rausgeworfen Isaura?" "Niemand hat mich rausgeworfen, Rosa, wie du sehr wohl weißt. Die Herrin Malvina ist in Begleitung ihres Bruders zum ihrem Elternhaus zurück gekehrt. Deshalb habe ich jetzt im Haus nichts mehr zu tun und bin deshalb gekommen, um mit euch zu arbeiten."
— E por que é que ela não te levou, você, que era o ai-jesus dela?... Ah! Isaura, você cuida que me embaça, mas está muito enganada; eu sei de tudo. Você estava ficando muito aperaltada, e por isso veio aqui para conhecer o seu lugar. — Como és maliciosa! — replicou Isaura sorrindo tristemente, mas sem se alterar; pensas então que eu andava muito contente e cheia de mim por estar lá na sala no meio dos brancos?... como te enganas!... se me não perseguires com a tua má língua, como principias a fazer, creio que hei de ficar mais satisfeita e sossegada aqui. "Und warum hat sie dich nicht mitgenommen, dich, der du ihr Augapfel warst? Ach Isaura, du glaubst, du kannst mich hinters Licht führen, aber da täuscht du dich. Ich weiß alles. Du warst sehr hochnäsig und deshalb hat man dich hierher geschickt, damit du deine Platz kennst." "Wie bösartig du bist!", antwortete Isaura und lächelte traurig, aber ohne sich zu ärgern. Du glaubst ich war da zufrieden und stolz, weil ich da inmitten unter Weißen war? Wie du dich da täuscht! Wenn du mich mit deiner giftigen Zunge nicht verfolgst, wie du gerade anfängst es zu tun, dann bin ich glücklicher und ruhiger hier."
— Nessa não creio eu; como é que você pode ficar satisfeita aqui, se não acha moços para namorar? — Rosa, que mal te fiz eu, para estares assim a amofinar-me com essas falas?... — Olhe a sinhá, não se zangue!... perdão, dona Isaura; eu pensei que a senhora tinha esquecido os seus melindres lá no salão. "Das glaub ich nicht. Wie kannst du hier glücklich sein, wenn du keine Männer findest, denen du den Kopf verdrehen kannst." "Rosa, was hab ich dir getan, damit du mich so mit deinen Reden verhöhnst?" "Hören Sie Herrin, ärgern Sie sich nicht! Verzeihen Sie Herrin Isaura, ich dachte die Herrin hätte ihre Zimperlichkeiten im Haus gelassen."
— Podes dizer o que quiseres, Rosa; mas eu bem sei, que na sala ou na cozinha eu não sou mais do que uma escrava como tu. Também deves-te lembrar, que se hoje te achas aqui, amanhã sabe Deus onde estarás. Trabalhemos, que é nossa obrigação. deixemos dessas conversas que não têm graça nenhuma. Neste momento ouvem-se as badaladas de uma sineta; eram três para quatro horas da tarde; a sineta chamava os escravos a jantar. As escravas suspendem seus trabalhos e levantam-se; Isaura porém não se move, e continua a fiar. "Du kannst sagen was du willst Rosa, aber ich weiß sehr wohl, dass ich im Haus oder in der Küche nichts weiter bin als eine Sklavin wie du. Du sollst auch wissen, dass wenn du heute hier bist, du morgen Gott weiß wo bist. Lass uns arbeiten, das ist unsere Aufgabe und lassen wir diese Gespräche, die überhaupt nicht lustig sind." In diesem Moment ertönten die Glockenschläge einer Glocke. Es war drei vor vier Uhr nachmittags und die Glocke rief die Sklaven zum Abendessen. Die Sklavinnen legten ihre Arbeit nieder und erhoben sich. Isaura jedoch blieb sitzen und spann weiter.
— Então? — diz-lhe Rosa com o seu ar escarninho, — você não ouve, Isaura? são horas; vamos ao feijão. — Não, Rosa; deixem-me ficar aqui; não tenho fome nenhuma. Fico adiantando minha tarefa, que principiei muito tarde. — Tem razão; também uma rapariga civilizada e mimosa como você não deve comer do caldeirão dos escravos. Quer que te mande um caldinho, um chocolate?... — Cala essa boca, tagarela! — bradou a crioula velha, que parecia ser a priora daquele rancho de fiandeiras. — Forte lingüinha de víbora!... deixa a outra sossegar. Vamos, minha gente. "Nun?", fragte Rosa mit ihrem höhnischen Ton, "hast du nicht gehört Isaura? Es ist an der Zeit. Gehen wir zu den Bohnen." "Nein Rosa, lasst mich hier bleiben. Ich habe keinen Hunger. Ich mache mit meiner Arbeit weiter, die ich sehr spät begonnen habe." "Recht hast du. Ein wohlerzogenes und verwöhntes Mädchen wie du sollte niciht aus dem selben Topf wie die Sklaven essen. Willst du, dass ich dir ein Süppchen schicke, eine Schokolade?" "Halt den Mund, Klatschmaul!", brummte die alte Kreolin, die die Vorsteherin dieser Gruppe von Spinnerinnen schien, "du Zunge einer Schlange! Lass sie in Ruhe. Los geht's Leute."
As escravas retiraram-se todas do salão, ficando só Isaura, entregue ao seu trabalho e mais ainda às suas tristes e inquietadoras reflexões. O fio se estendia como que maquinalmente entre seus dedos mimosos, enquanto o pezinho nu e delicado, abandonando o tamanquinho de marroquim, pousava sobre o pedal da roda, a que dava automático impulso. A fronte lhe pendia para um lado como açucena esmorecida, e as pálpebras meio cerradas eram como véus melancólicos, que encobriam um pego insondável de tristura e desconforto. Estava deslumbrante de beleza naquela encantadora e singela atitude. Die Sklavinnen verließen den Raum und nur Isaura blieb, die sich ganz ihre Arbeit widmete und mehr noch ihren traurigen und beunruhigenden Gedanken. Der Faden glitt wie mechanisch durch ihre zärtlichen Finger, während der nackte und zierliche Fuß, der die Ledersandalen verlassen hatte, das Pedal des Rades antrieb und es so automatisch in Schwung hielt. Die Stirn war zur Seite geneigt wie die einer traurigen Lilie, und die Lider, halb geschlossen, waren wie melancholische Schleier, die eine tiefe, unergründliche Trauer und Unruhe verbargen. Sie war eine vollendete Schönheit in dieser bezaubernden und einzigartigen Haltung.
— Ah! meu Deus! — pensava ela; nem aqui posso achar um pouco de sossego!... em toda parte juraram martirizar-me!... Na sala, os brancos me perseguem e armam mil intrigas e enredos para me atormentarem. Aqui, onde entre minhas parceiras, que parecem me querer bem, esperava ficar mais tranqüila, há uma, que por inveja, ou seja lá pelo que for, me olha de revés e só trata de achincalhar-me. — Meu Deus! meu Deus!... já que tive a desgraça de nascer cativa, não era melhor que tivesse nascido bruta e disforme, como a mais vil das negras, do que ter recebido do céu estes dotes, que só servem para amargurar-me a existência? "Ah, mein Gott!", dachte sie, "nicht mal hier finde ich ein bisschen Ruhe. Überall hat man sich verschworen um mich quälen! Im Haus verfolgen mich die Weißen und spinnen Tausend Intrigen um mich zu leiden zu lassen. Hier, zwischen meinesgleichen, die mir wohlgesonnen sind, hoffte ich Ruhe zu finden, gibt es eine, die aus Neid oder warum auch immer, mir nicht gesonnen ist und mich nur verhöhnen will. Gütiger Gott! Wo ich schon das Unglück habe, als Gefangene geboren zu sein, wäre es da nicht besser gewessen, dass ich hässlich und unförmig wäre, wie die gemeinste aller Negerinnen, anstatt vom Himmel diese Gaben zu empfangen, die nur dazu dienen, mir meine Existenz zu verleiden."
Isaura não teve muito tempo para dar larga expansão às suas angustiosas reflexões. Ouviu rumor na porta, e levantando os olhos viu que alguém se encaminhava para ela. — Ai! meu Deus! — murmurou consigo. — Aí temos nova importunação! nem ao menos me deixam ficar sozinha um instante. Quem entrava era, sem mais nem menos, o pajem André, que já vimos em companhia do feitor, e que mui ancho, empertigado e petulante se foi colocar defronte de Isaura. Isaura hatte nicht viel Zeit, ihren bedrückenden Gedanken Raum zu geben. Sie hörte ein Geräusch an der Tür und die Augen hebend sah sie, wie jemannd auf sie zukam. "Oh mein Gott", flüsterte sie bei sich, "noch ein Störenfried! Sie lassen mich auch nicht einen Moment in Ruhe." Hereinkam der Page Andre, den wir schon in Begleitung des Vorarbeiters gesehen hatten und der sich breit und geckenhaft vor ihr aufbaute.
— Boa tarde, linda Isaura. Então, como vai essa flor? — saudou o pachola do pajem com toda a faceirice. — Bem, respondeu secamente Isaura. — Estás mudada?... tens razão, mas é preciso ir-se acomodando com este novo modo de vida. Deveras que para quem estava acostumada lá na sala, no meio de sedas e flores e águas-de-cheiro, há de ser bem triste ficar aqui metida entre estas paredes enfumaçadas que só tresandam a sarro de pito e morrão de candeia. — Também tu, André, vens por tua vez aproveitar-te da ocasião para me atirar lama na cara?... "Guten Tag, schöne Isaura. Wie geht es der Blume?", grüßte der Geck von einem Pagen großtuerisch. "Gut", antwortete Isaura trocken. "Bist du verstimmt? Da hast du recht, aber du musst dich mit diesem neuen Leben abfinden. Für jemanden der an das Haus gewöhnt war, inmitten von Seide, Blumen und wohlriechendem Wasser muss es tatsächlich ziemlich traurig sein sich hier zwischen den muffigen Wänden die nur nach ausgespucktem Tabak und Russ von Kerzen riechen, wiederzufinden." "Bist auch du nur gekommen, André, um die Gelegenheit zu nutzen mir Dreck ins Gesicht zu werfen?"
— Não, não, Isaura; Deus me livre de te ofender; pelo contrário, dói-me deveras dentro do coração ver aqui misturada com esta corja de negras beiçudas e catinguentas uma rapariga como tu, que só merece pisar em tapetes e deitar em colchões de damasco. Esse senhor Leôncio tem mesmo um coração de fera. — E que te importa isso? eu estou bem satisfeita aqui. — Qual!... não acredito; não é aqui teu lugar. Mas também por outra banda estimo bem isso. — Por quê? — Porque, enfim, Isaura, a falar-te a verdade, gosto muito de você, e aqui ao menos podemos conversar mais em liberdade... — Deveras!... declaro-te desde já que não estou disposta a ouvir tuas liberdades. "Nein, nein Isaura. Gott bewahre mich davor dich zu beleidigen. Ganz im Gegenteil, es schmerzt mich zutiefst im Herzen ein Mädchen wie dich, das es verdient in auf Teppichen zu gehen und in Matrazen aus Damast zu schlafen, hier vermischt mit dieser Horde von dicklippigen und stinkenden Negerinnen zu sehen. Dieser Herr Leôncio hat das Herz eines Tieres." "Und was geht dich das an? Mir geht es gut hier." "Was?! Das glaube ich nicht, das ist nicht dein Platz. Andererseits finde ich es auch gut." "Warum ?" "Weil, um dir die Wahrheit zu sagen, du gefällst mir sehr, und hier können wir wenigstens in Ruhe reden." "Tatsächlich! Ich sage dir schon von vorneherein, dass ich nicht bereit bin, mit deine Anzüglichkeiten anzuhören."
— Ah! é assim! — exclamou André todo enfunado com este brusco desengano. — Então a senhora quer só ouvir as finezas dos moços bonitos lá na sala!... pois olha, minha camarada, isso nem sempre pode ser, e cá da nossa laia não és capaz de encontrar rapaz de melhor figura do que este seu criado. Ando sempre engravatado, enluvado, calçado, engomado, agaloado, perfumado, e o que mais e, — acrescentou batendo com a mão na algibeira, — com as algibeiras sempre a tinir. A Rosa, que também é uma rapariguinha bem bonita, bebe os ares por mim; mas coitada!... o que é ela ao pé de você?... "Ach, so ist da!", rief André tief durch diesen abrupte Wendung tief verstimmt, "die Dame will also nur die Feinheiten der hübschen Kerle dort im Haus hören. Hör mal Kameradin, das kann nicht immer so sein und unter unsereinem wirst du keinen hübscheren Jungen finden, als dein vor dir stehender Diener. Ich bin immer eine Krawatte an, Handschuhe, Schuhe, gebügelt, herausgeputzt und parfümiert und mit einer Tasche, die immer klingelt. Rosa, die Arme, die auch ein hübsches Mädchen ist, ist ganz scharf auf mich, aber was ist sie schon im Vergleich mit dir? Isaura, wenn du wüsstest, wie ich dich mag, würdest du mich nicht so gleichgültig behandelnnt. Wenn du willst, schau, hör."
Enfim, Isaura, se você soubesse quanto bem te quero, não havias de fazer tão pouco caso de mim. Se tu quisesses, olha... escuta. E dizendo isto o maroto do pajem, avizinhando-se de Isaura, foi-lhe lançando desembaraçadamente o braço em torno do colo, como quem queria falarlhe em segredo, ou talvez furtar-lhe um beijo. — Alto lá! —exclamou Isaura repelindo-o com enfado. – Está ficando bastante adiantado e atrevido. Retire-se daqui, se não irei dizer tudo ao senhor Leôncio. Während er das sagte näherte sich der Geck von Pagen Isaura, umschlang ohne Hemmungen seine Arme um ihren Hals, wie jemand der ihr etwas zuflüstern wollte oder ihr einen Kuss rauben wollte. "Aufhören!", rief Isaura und stieß ihn verärgert zurück, "du bist ziemlich voreilig und kühn. Geh weg, wenn nicht sag ich es deinem Herrn Leôncio."
— Oh! perdoa, Isaura; não há motivo para você se arrufar assim. És muito má, para quem nunca te ofendeu, e te quer tanto bem. Mas deixa estar, que o tempo há de te amaciar esse coraçãozinho de pedra. — Adeus; eu já me vou embora; mas olha lá, Isaura; pelo amor de Deus, não vá dizer nada a ninguém. Deus me livre que sinhó moço saiba do que aqui se passou; era capaz de me enforcar. O que vale, — continuou André consigo e retirando-se, — o que vale é que neste negócio parece-me que ele anda tão adiantado como eu. "Entschuldige Isaura, es gibt keinen Grund, dass dich so empörst. Das ist nicht lieb von dir, wo ich dich doch noch nie beleidigt habe und dich so mag. Aber lass, die Zeit wird dieses Herz aus Stein erweichen. Auf Wiedersehen, ich gehe jetzt. Aber hab um Gottes Willen acht, und erzähl es niemandem. Gott steh mir bei wenn der junge Herr etwas erfährt, was hier vorgefallen ist, er wäre in der Lage, mich hängen zu lassen. Entscheidend ist", fuhr André bei sich fort während er sich zurückzog, "dass er was das hier angeht auch noch nicht weiter ist als ich."
Pobre Isaura! sempre e em toda parte esta contínua importunação de senhores e de escravos, que não a deixam sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e André, e uma êmula terrível e desapiedada, Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!... Arme Isaura! Immer und überall wird sie von Herren und Sklaven bedrängt, die sie nicht einen Moment in Ruhe lassen! Wie könnte dieses Herz nicht in Trauer und in Unruhe leben! Innerhalb des Hauses besaß sie vier Freunde, einer hartnäckiger als der andere, wenn es darum ging sie nicht einen Moment in Ruhe zu lassen. Da waren drei Liebhaber, Leôncio, Belchior und André und eine schreckliche und erbarmungslose Nebenbuhlerin, Rosa. Die Drängen und die Übergriffe der Sklaven zurückzuweisen wäre einfach gewesen, aber wie wäre es, wenn der Herr käme?
De feito, poucos instantes depois Leôncio, acompanhado pelo feitor, entrava no salão das fiandeiras. Isaura, que um momento suspendera o seu trabalho, e com o rosto escondido entre as mãos se embevecia em amargas reflexões, não se apercebera da presença deles. Tatsächlich betrat nur wenige Augenblicke später Leôncio, begleitet von dem Vorarbeiter, den Raum der Spinnerinnen. Isaura, die für einen Moment die Arbeit unterbrochen hatte und mit dem Gesicht in den Händen vergraben sich bitteren Betrachtungen hingab, bemerkte ihre Anwesenheit nicht.
— Onde estão as raparigas que aqui costumam trabalhar?... perguntou Leôncio ao feitor, ao entrar no salão. — Foram jantar, senhor; mas não tardarão a voltar. — Mas uma cá se deixou ficar... ah! é a Isaura... Ainda bem! — refletiu consigo Leôncio, — a ocasião não pode ser mais favorável; tentemos os últimos esforços para seduzir aquela empedernida criatura. "Wo sind die Mädchen, die hier normalerweise arbeiten?", fragte Leôncio den Vorarbeiter, als sie den Raum betraten. "Sie sind essen gegangen Herr, aber sie werden bald zurück sein. "Aber eine ist noch da. Ah, es ist Isaura. Das ist gut", dachte Leôncio bei sich, "die Gelegenheit könnte nich günstiger sein. Versuchen wir zum letzten mal diese versteinerte Kreatur zu verführen."
Logo que acabem de comer, — continuou ele dirigindo-se ao feitor, — leveas para a colheita do café. Há muito que eu pretendia recomendar-lhe isto e tenhome esquecido. Não as quero aqui mais nem um instante; isto é um lugar de vadiação, em que perdem o tempo sem proveito algum, em continuas palestras. Não faltam por aí tecidos de algodão para se comprar. Mal o feitor se retirou, Leôncio dirigiu-se para junto de Isaura. "Sobald sie mit dem Essen fertig sind", fuhr er an den Vorarbeiter gewandt fort, "bring sie zur Ernte des Kaffees. Ich wollte ihnen das schon lange vorschlagen und hatte es vergessen. Ich will sie hier nicht länger haben. Das ist ein Ort des Müßigganges, wo ohne irgendeinen Profit die Zeit mit Geschwätz vergeudet wird. Es besteht kein Mangel an Baumwolltuch, das man kaufen kann. Kaum hatte sich der Vorarbeiter zurückgezogen, wandte sich Leôncio Isaura zu.
— Isaura! murmurou com voz meiga e comovida. — Senhor! — respondeu a escrava erguendo-se sobressaltada; depois murmurou tristemente dentro d'alma: — meu Deus! é ele!... é chegada a hora do suplício."Isaura!", murmelte er mit sanfter und gerührter Stimme. "Herr!", antwortete die Sklavin und richtete sich erschreckt auf. Dann murmelte sie traurig bei sich:"Mein Gott! Er ist es! Die Zeit der Hinrichtung ist gekommen.

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